sábado, 12 de março de 2011

Leões de Jah

Na missão de reabilitar o poormaiores, agora sem obrigatoriedade de prazo para atualizações, este post, Leões de Jah, poderia mesmo era render um samba enredo do maconhódromo de Teresópolis, ao lado dos desfiles.

O nosso amigo, um fluminense radicado em Pernambuco, anos atrás foi convidado por um conhecido do Rio de Janeiro para dar uma força na torcida para a Escola Leões da Tijuca. Não pensou duas vezes. Como me explicou, quem é do Rio tem o mesmo fetiche pelas escolas do que os pernambucanos pelas ladeiras de Olinda. Ainda que o desfile em questão ocorra em Teresópolis.

Antes do desfile, porém, o anfitrião convoca nosso amigo e um terceiro elemento para uma rua paralela ao local do desfile. Objetivo? Queimar uma ruiva dos olhos vermelhos, fumar um boró ou "coisar", como dizem os surfistas.

Quando nossa trupe começa a consumir a "mardita", o anfitrião, rapaz novo, anuncia, em tom de desespero:

"-Cacete! Meu pai!!!"

Segundos de pânico, não havia mais tempo para esconder o tal do fininho. Até que o pai aborda o grupo, tira do bolso um pacote e anuncia:

"-Porra, meu filho!! Isso é coisa que se faça? É assim que você trata seus convidados, oferecendo essa mixaria? Deixa eu mostrar como é que se fuma!"

quarta-feira, 2 de março de 2011

"O nosso amor é como tatuagem"

Depois de vários meses sem postar nada aqui por absoluta má administração de tempo, resolvi reativar o poormaiores. Para quem não frequenta o blog, a dinâmica é: conto histórias às vezes engraçadas, às vezes somente constrangedoras, todas reais e com a garantia do anonimato. Aceitamos contribuições!

Segue um trocadilho infame para marcar o retorno, uma história sobre tatuagem. Essa aqui me lembra música de Mastruz com leite...


"-Até gosto de mulher com tatuagem, mas tenho um amigo que ficou traumatizado.

-Traumatizado? Erraram o desenho dele?

-Não, pô. Saiu com uma mulher e voltou pensando em Tarcísio.

-Hã?

-Hehehe... Quando começaram, na cama, ela ficou de costas pra ele. A merda era que ela tinha o nome do ex-marido tatuado no cangote."

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Mineirinho nada sutil

O jeitinho mineiro, tão famoso, às vezes tem a sutileza de um tijolo.

Estou em São Paulo. Vim convidado por uma multinacional para realizar a cobertura jornalística de um evento. Eu e uma cacetada de jornalistas de pelo menos 20 cidades brasileiras.

Cada um chegou em um horário diferente e fez o trajeto aeroporto-hotel em um veículo diferente. Alguns fizeram a pequena viagem terrestre de van, outros de carro. Isso há dois dias.

Ontem no início da noite, estávamos em um grupo de 10 pessoas, desta vez em uma única van. Como jornalista fala muito e conversa até com uma porta, já éramos todos amigos de infância, por assim dizer.

Eis que um dos dois mineiros da turma puxa o assunto sobre o trajeto e começamos a falar sobre as complicações dos diferentes motoristas para chegar ao hotel. Foi quando o mineiro atacou:

"-Ô, motoris-danado que fez a viagem comigo. (é que mineiro come a metade das palavras, hehehe) O cara errô tudin. Eu cansa-que-só, que fela..."

Desta vez, ele não comeu palavra não. Realmente parou o que dizia. Se esticou todo no assento em que estava, olhou o motorista e perguntou:

"-Ô moço, acho que foi o senhor que me trouxe pr'otel (interrompido)..."

"-Foi."

"-Então tá bão. Vou falar mal do senhor mais não."

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Pequena mestra

A lição dada, o aluno e o professor mudam conforme o momento. Quem ensina é uma garotinha.

A mãe estava jantando com os dois filhos. O garoto, um pouco mais velho, com seus 9 anos, comia na dele, silencioso.

A menina estava inquieta. Aos 5 anos, disparava porquês loucamente. Além, claro, de fazer perguntas o tempo todo.

"-Mãe, a gente está comendo carne de quê?"

"-De boi, minha filha."

"-Mas mãe, a gente está comendo boi MESMO? Aquele que tem em fazendinhas?"

"-É, meu amor..."

"-Ai, mãe, o bichinho... Quero comer carne mais não."

Uma pequena pausa. E a mãe completa:

"-Sabe do quê mais? Eu também não, filhinha..."

Obs.: Isso me lembrou muito o curto, porém clássico poema de Oswald de Andrade que segue abaixo.

"Erro de Português

Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português!"

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Hierarquia letal

Há empregos que acabam com a vida de alguém. Mas aqui vai uma história em que o chefe literalmente quis ter à disposição a vida do funcionário.

Nosso intrépido protagonista é um funcionário normal em uma empresa recifense. Digamos que ele é uma espécie de "faz-tudo" lá onde trabalha.

Uma de suas múltiplas atribuições é entregar correspondências em alguns setores da empresa.

Como em qualquer trabalho há sempre um "chefão", nosso serelepe pseudo-carteiro, em um dia perdido desta vida sinuosa, entra na sala do homem-que-fala-mais-grosso-na-empresa. Entregou cartas e um pacote.

Quando se preparava para sair da sala, escutou aquele vozeirão (sim, porque além de falar mais grosso chefe sempre tem tudo no superlativo! hehehe) pronunciar seu nome, seguido por uma frase - em tom inquisitivo.

"-O que é isso aqui?"

"-É um pacote, chefe."

"-Sim, meu amigo. Eu sei. Mas tá sem remetente. Digo, não tem dizendo quem mandou."

"-E o senhor quer que eu faça o quê?"

"-Fica aí que eu vou abrir."

"-E se for uma bomba, doutor?"

"-Oxe. Tu acha que eu vou me lascar sozinho, é?"

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Amigo chave-de-cadeia

Da época da Ditadura Militar, uma história sem sangue nem tragédia, mas que ensina como o barato, às vezes, sai caríssimo.

O camarada (aliás, “sujeito”, pois na época ser “camarada” era coisa de comunista, bronca pesada) tinha acabado de sair do trabalho. Seguia para o ponto de ônibus, louco para chegar em casa.

“-Meep, meep!”

Era a inconfundível buzina de um fusquinha. Nosso amigo vira para ver quem é. Nos primeiros segundos, mal reconhece o motorista. Em um instante, porém, sorri ao reconhecer a figura.

“-Meu grande amigo, tudo bom? Vem que te dou uma carona!”

“-Ótimo. É bom que a gente vai batendo papo!”

Os dois conversavam. Um era metido em movimentos estudantis. O nosso protagonista, pelo contrário, não se envolvia em polêmicas, em nada. Sujeito pacato, ficou tranquilo quando o fusca foi abordado pela polícia.

“-Putaqueopariu! Fodeu... Tenta correr não... Fica calmo”, disse o motorista.

“-Claro que vou ficar calmo. Não tenho porque temer. Você tem? Tem?”

O que se seguiu foi um eloquente silêncio. E o início da tremedeira.

Resumindo muito, foram uns safanões e duas semanas de xadrez. Graças a Alá, até houve interrogatórios, coisa e tal, mas não aqueles das lamentáveis atrocidades que, sabemos, rolaram demais naquele período.

O que ficou da história, mesmo, foi o bordão que nosso azarado amigo repetia minuto a minuto, na prisão:

“-Carona filha da puta! Carona filha da puta! DA-PU-TA!”

quarta-feira, 28 de julho de 2010

32 dentes - de mentira!

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"Não confio em ninguém com 32 dentes", diz a música antológica dos Titãs. E quanto a alguém com 32 dentes postiços?

O senhor, sempre elegante, era professor de matemática do ensino médio do Colégio Salesiano, escola tradicional mais que centenária que ainda resiste ao fechamento de seus antigos concorrentes, no centro do Recife.

Ao final de uma aula, viu os alunos tocando violão e chegou junto. Pediu o instrumento musical para mostrar seus dotes musicais.

Cantou alto. Forte. Mostrando os dentes. Lá se foi ele, dando uma de Robertão, cheio de sílabas tônicas e falando tudo bem separado, todo cheio de gás:

"-Quandooooo... você se SE-PA-ROU... de MIM... QUA-SE... que a minha VI-DA TE-VE... um fimmmm..."

A cantoria ia bem. Como de praxe, sempre há um "até que":

"-A-GORA, Ê-EU NEM QUE-RO LEMBrrmlmmlmlmlmlmmlmlmlmlmlml. Zvou no bammnheiromlmmlml..."

Sai correndo, segurando a chapa que caiu.

Obs.: o vídeo abaixo lembra a cena com o tiozão...